Desde que adoptei o estilo de vida mais sustentável e amigo do ambiente que recomendo vivamente esta filosofia de desperdício zero para poupar o ambiente e a carteira. Muitas vezes transmitem-se os ideais com toda a informação ao mesmo tempo e isso gera a existência de mitos que não estão nem perto da realidade, por isso hoje decidi desmistificar algumas questões. Assim, partilho convosco 7 mitos da filosofia de vida desperdício zero.

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7 Mitos da Filosofia de Vida Desperdício Zero

      Ao procurar-se influenciar outras pessoas a adoptarem medidas mais amigas do ambiente, às vezes dá-se aso a determinados mitos e passam-se mensagens erradas. Assim, vou procurar desmistificar algumas questões que me fazem chegar quando me contactam por mensagens privadas, apresentando e explicando os 7 mitos da filosofia desperdício zero.

 

«É mais caro ser sustentável.»

       Por exemplo, usar sabonete em vez de gel de banho é mais barato. Sim, eu tenho uma garrafa de água que aguenta 24h a bebida fresca e 12h quente, que é cerca de 30€. Apesar de compensar o custo nas primeiras 30 utilizações é privilégio só para alguns poder comprá-la. E sim, as marcas sustentáveis são mais caras que o comum fast fashion, pelo que também não está ao alcance de todos. Mas tudo depende da perspectiva e tudo é relativo. Afinal, o mais sustentável é o que já existe! Por um lado, em vez da garrafa que eu uso, podem reutilizar uma garrafa de vidro de polpa de tomate, que é eficaz e sustentável. Por outro, quanto às marcas sustentáveis, podem optar, como eu, por comprar em segunda mão. Portanto, ser mais sustentável não é mais caro, pelo contrário, até se pode economizar.

 

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«O lixo que produzes tem que caber num pequeno frasco.»

       O primeiro passo na filosofia de vida de desperdício zero é fazer uma auditoria ao “lixo” que produzimos para analisarmos onde podemos cortar e deixar de o produzir. Neste sentido, muitos influenciadores desta filosofia mostram que o “lixo” que produzem cabe num pequeno frasco de vidro, de modo a evidenciar o quão pouco “lixo” produzem com o seu estilo de vida. Além da embalagem ser pequena, também é de vidro para que se possa ver o que é efectivamente desperdício. Contudo, esta filosofia de desperdício zero não pretende ser uma utopia inatingível de não produzir “lixo” algum. Claro que isso seria esplêndido, mas não é necessariamente essa a luta. O objectivo é chamar a atenção para a produção desnecessária de “lixo” e levar a pensar sobre o que compramos, para evitar o desperdício de recursos e poupar o meio ambiente de poluição.

 

«O desperdício zero implica nunca usar plástico.»

       Ao analisarmos o “lixo” produzido podemos ver que a maioria é plástico de uso único. Esse plástico que só usamos uma vez, na maioria dos casos por escassos minutos, fica décadas a vaguear nos solos ou oceanos, a matar diversos animais e a contaminar o meio ambiente, o que também afecta a nossa saúde. Quem segue a filosofia procura reduzir ao máximo o desperdício de recursos. Todavia, há que reconhecer que o plástico é uma matéria-prima fantástica e necessária no uso em cuidados de saúde, por exemplo. Noutra perspectiva, é desnecessária para envolver as bananas ou outra fruta ou legumes, como vemos em supermercados. É inútil neste caso, como em tantos outros. Portanto, o desperdício zero não implica nunca usar plástico, mas ser consciente no seu uso e dos seus malefícios, quando usado de forma única e desnecessária.

 

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«Leva muito tempo gerir uma vida sustentável.»

       Claro que é recomendável produzir as próprias refeições ao invés de constantemente encomendar take-away. É verdade que é melhor produzir os próprios alimentos. Mas o intuito é cada um fazer o seu melhor diariamente, pelo bem de todos. O truque é planear a nossa vida de modo a conseguirmos organizar-nos por forma a cozinhar em vez de encomendar comida, por exemplo. Por outro lado, é engano pensar-se que se gasta mais tempo por se usar guardanapos de pano, por exemplo, por termos que os lavar. Basta colocá-los na máquina e não ocupam quase espaço nenhum, pelo que não fará diferença. É mito que se leve muito tempo a gerir uma vida sustentável.

 

«Tenho que levar a casa inteira atrás.»

        É recomendado estarmos prevenidos para o que formos precisar, mas não, não temos que estar preparados para o fim do mundo, nem levar a casa inteira atrás. No meu caso, costumo andar com um guardanapo de pano/ lenço, uma garrafa reutilizável com água e um saco reutilizável dentro da mala. No entanto, tento sempre organizar o meu dia e planeá-lo de acordo com o que precisar de fazer. Se for à praia, por exemplo, levo a minha marmita, talheres e mais água ainda. Por outro lado, se for às compras levo mais sacos (ou frascos para compras a granel). Noutro exemplo ainda se for a um festival ou uma feira onde planeio ingerir a minha refeição, levo talheres para não usar os de plástico de uso único. Enfim, não tenho que levar a casa inteira atrás, isso é um mito. Procuro é planear e organizar o meu dia, de modo a ter comigo o que for precisar usar.

 

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«Usar o teu saco de pano ou a tua palhinha é estranho.»

       Eu acho que é válido pensar nisto a início, porque é-nos estranho e difícil de entender o diferente e o que não conhecemos. Contudo, ao recusar uma palhinha descartável aquando do pedido de uma bebida, devemos explicar que temos a nossa reutilizável e que aquela palhinha iria perdurar vários anos só para ser usada uma única vez por poucos minutos. Devemos procurar transmitir informação e até apresentar soluções para problemas que encontremos, pelo que até podemos sugerir a venda de palhinhas reutilizáveis, fazer compostagem e usar palhinhas compostáveis ou mesmo usar palhinhas que se possam ingerir. Assim vamos gerar conversa e pensamentos sobre o assunto e até conseguimos estabelecer ali uma relação com a pessoa que nos atende no café ou supermercado, por exemplo.

 

«Serás mais saudável.»

       Ao procurar uma vida mais sustentável e de combate ao desperdício zero acabamos por comprar menos comida pré-feita ou até mesmo deixar de comprar, porque enfim… Plástico e mais plástico por toda a parte. Neste contexto, também passas a comprar ao produtor os alimentos consumidos ou até produzi-los numa horta própria. Por outro lado, também descobres que é preferencial para o planeta que optes por andar a pé ou de bicicleta que são as únicas formas de não poluíres o planeta com as tuas deslocações. Posso dar também outro exemplo: Eu deixei de comprar sumos para beber em casa, para poupar no plástico, e passei a fazer limonada e sumos naturais. Até levo quando vou almoçar ou jantar a casa de familiares (embora consuma por vezes em restaurantes, por exemplo). Portanto esta é a verdade no meio de mitos!!

 

«O desperdício zero não fará diferença no mundo.»

       «É só uma palhinha, disseram 8 biliões de pessoas». Não me canso de dizer que o meu lema de vida é o de Mahatma Gandhi «ser a mudança que queremos ver no mundo». São os mais pequenos passos que geram as maiores mudanças. Primeiro que tudo, uma poupança por dia, gera 365 mudanças ao ano. Por seu turno, quando nós mudamos, numa sociedade, outras pessoas vêem essa mudança e questionam-se sobre ela. Assim, se tu inspirares uma pessoa e essa pessoa influenciar outra, então já são 3 pessoas a fazer algo de bom pelo planeta e é essa a mudança real que podes fazer no mundo! É assim que se faz a mudança, por isso “não farás a diferença no mundo” é talvez o maior dos 7 mitos da filosofia desperdício zero.

 

Terra Chama Telma + blogue português sobre sustentabilidade e combate ao desperdício

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